Não necessariamente. A empresa precisa identificar e gerenciar os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, mas o Ministério do Trabalho e Emprego não obriga nem recomenda um questionário específico.
Então por que o MySelf NR-1 usa o HSE-IT?
Quando a coleta quantitativa é adequada à realidade da empresa, o MySelf NR-1 utiliza o Health Safety Executive – Indicator Tool (HSE-IT).
A escolha não foi feita porque o instrumento seria “validado pelo MTE” — ele não é. Foi feita porque o HSE-IT tem base científica e validação para o português brasileiro e porque sua lógica combina bem com a arquitetura do MySelf NR-1.
O que é o HSE-IT?
O HSE-IT é um questionário de 35 itens distribuídos em 7 dimensões: demandas, controle, apoio gerencial, apoio dos colegas, relacionamentos, cargo/papel e mudanças.
Estudo brasileiro publicado por pesquisadores da Unicamp descreveu a aplicação do método HSE em 2.284 trabalhadores de diferentes setores e registrou propriedades psicométricas satisfatórias na versão brasileira.
Por que ele combina com o MySelf NR-1?
Porque o método do HSE não foi concebido para terminar no questionário. A proposta combina uma etapa quantitativa com aprofundamento qualitativo para compreender o contexto por trás dos resultados.
Essa lógica conversa diretamente com o MySelf NR-1: coleta quantitativa + aprofundamento qualitativo + evidências + decisão profissional + gerenciamento do risco.
O MySelf altera as perguntas?
Não. Quando apresenta o HSE-IT como instrumento cientificamente validado, o MySelf NR-1 preserva o instrumento completo: 35 itens, 7 dimensões e escala original.
Isso é importante porque recortar, reescrever ou misturar um instrumento e continuar chamando aquela nova versão de “instrumento validado” seria metodologicamente incorreto.
O resultado do questionário vira risco automaticamente?
Não. O resultado é evidência. Percentual ou score do HSE-IT não determina sozinho severidade, probabilidade ou nível de risco.
No fluxo atual do MySelf NR-1, a profissional analisa o conjunto de evidências, decide e aprova severidade e probabilidade, e o sistema calcula o resultado pela matriz canônica. A Sofy pode sugerir e apoiar a organização das informações, mas não ocupa o lugar da decisão profissional.
E em empresas pequenas?
Questionário pode ser inadequado quando o grupo é tão pequeno que a identidade de quem respondeu pode ser inferida. O Manual do MTE reconhece que a estratégia precisa considerar porte, estrutura e contexto da organização e cita abordagens participativas e qualitativas para empresas pequenas.
Nesses casos, uma escuta estruturada ou outra abordagem compatível pode produzir informação melhor do que prometer um anonimato que, na prática, não existe.
Ministério do Trabalho e Emprego. Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, 2026.
Lucca SR, Sobral RC. Aplicação de instrumento para o diagnóstico dos fatores de risco psicossociais nas organizações. Rev Bras Med Trab. 2017;15(1):63-72. DOI: 10.5327/Z1679443520176045.